pag. 44 PIF RSV - Recreative Safe Vibe
Vânia Ferreira, Joaquim Pequicho e Susana Henriques
Entidade Promotora: Cercina – Cooperativa de Ensino e Reabilitação de Crianças, Nazaré
Projecto: RSV – Recreative Safe Vibe
"As pessoas têm vindo ao nosso encontro, não só porque ao longo do tempo o projecto foi ganhando visibilidade, pelas intervenções que têm sido feitas, mas também porque nós temos feito um esforço nesse sentido."
Caracterização do PIF
“O projecto foi esboçado com base numa metodologia de investigação/acção em que precisamente por isso, numa primeira fase, aquilo que pretendemos fazer foi o diagnóstico, porque não tínhamos dados concretos sobre a população e os frequentadores dos espaços recreativos nocturnos, âmbito do Recreative Safe Vibe – RSV para a zona geográfica em que estamos a intervir: Leiria, Nazaré, Caldas da Rainha e Peniche.
Portanto decidimos começar por um diagnóstico, recrutando um grupo de voluntários, que com mais ou menos flutuações nos tem acompanhado no projecto, trabalhamos com eles, com alguma formação. Para eles poderem fazer esta aproximação, o primeiro passo foi ir para o terreno e recolher informação através de inquérito por questionário e através de observação em relação aos ambientes, aos frequentadores, aos tipos de comportamento, aos padrões de consumo, entre outros. Na posse dos dados relativos a este diagnóstico, na segunda fase trabalhamos com o staff dos espaços recreativos destas zonas geográficas previamente identificados, que estão como parceiros do projecto e que são em Leiria: o Beat Club, na Nazaré: o Nafta e o Blá Blá, nas Caldas da Rainha (Foz do Arelho): a Grinil e em Peniche: a Casa do Cais. Fizemos formação aos gerentes e ao staff dos espaços que foi sobretudo orientada para a redução de riscos e de minimização de danos, ou seja, não é o papel deles nem nosso enquanto projecto, apelar ao não consumo ou fazer um discurso moralista até porque não resulta, mas no sentido de perceberem os efeitos das várias substâncias, terem em atenção os consumos e desmistificar também algumas ideias pré-concebidas que existem em relação a várias dessas substâncias. Numa terceira fase, que é a que estamos a iniciar agora, vamos para um outro tipo de abordagem, nós fizemos formação específica com os nossos voluntários, com um grupo restrito deles, para fazer agora uma intervenção inter-pares entre o grupo de voluntários e o grupo de frequentadores que estamos a seleccionar, que foram cedendo os contactos.
A população-alvo é esse mesmo grupo de frequentadores, ou seja, para estas acções mais generalizadas têm sido genericamente as pessoas que no momento em que vamos fazer a intervenção estão nesses espaços, neste momento há um grupo restrito de frequentadores seleccionados durante as intervenções nos vários espaços.
São os próprios frequentadores que cedem os contactos aos nossos voluntários, por isso é que arranjamos esse grupo.”
Acções de intervenção na noite
“Fazemos acções em que vamos ao encontro doutros públicos onde se calhar vamos encontrar misturados públicos já habituais no nosso espaço de intervenção, vamos encontrá-los noutros espaços de diversão, e aí entram as semanas académicas, festas temáticas e recepções ao caloiro, porque são espaços privilegiados para o contacto com os jovens, em que sabemos que temos que estar presentes ou somos mesmo convidados a estar presentes. Acabamos por alargar o projecto daquilo que estava definido inicialmente, mas não prejudica o que estava previamente definido, pelo contrário, reforça e não deixa de ser feita a intervenção em espaços recreativos nocturnos, isto tem a ver com alguns dos nossos voluntários serem estudantes universitários também, que temos cerca de vinte com maior regularidade, mas já passaram muitos mais voluntários.
A equipa actual é mais sólida. São aqueles que nos garantem uma maior regularidade e continuidade das acções, na relação com todos os elementos dos bares desde o staff à gerência e com os próprios jovens frequentadores. E é essa continuidade que queremos privilegiar.”
Dificuldades
“As maiores dificuldades que temos nos locais é que a partir de uma determinada hora, o consumo de álcool, o barulho e o facto da noite já ser muito prolongada, há alguma dificuldade em estabelecermos uma ligação com os frequentadores, porque já é aquela altura em que ninguém está para ouvir ninguém. Por isso é que actuamos desde o início da noite até às quatro, quatro e meia, nos espaços em que nós temos intervenção, porque é a hora ideal para conseguirmos chegar às pessoas e conversar com elas.”
Avaliação: acção, investigação e reflexão dos dados “A avaliação é fundamental, senão não sabemos se resulta, porque em qualquer área de intervenção social não há receitas. Se não era fácil, alguém já tinha descoberto uma fórmula e depois era só replicá-la e aplicá-la e aqui não há.
Por vezes a intervenção varia duma noite para a outra mesmo no mesmo espaço, porque as pessoas são diferentes, têm disposição diferente, a música varia… há muitos factores susceptíveis de variação e a avaliação é fundamental precisamente para nos ajudar a controlar essas variáveis e perceber quais são as estratégias mais adequadas e que funcionam melhor e aquelas que não são tão ajustadas, tão eficazes no terreno e isto é elementar, porque ainda não tem havido muita intervenção nestes contextos, eles são ainda pouco conhecidos, ao nível de resultados empíricos e sistemáticos, cientificamente, há pouco conhecimento. Portanto, não é apenas um trabalho só teórico, ou académico, mas se for feita apenas a intervenção ficaremos sem dados para perceber até que ponto funcionou ou não. A avaliação e sobretudo neste acompanhamento fazendo acção mas ao mesmo tempo investigação e reflexão sobre os dados que vão sendo produzidos, parece-me essencial.”
Preparar para continuar
“As pessoas têm vindo ao nosso encontro, não só porque ao longo do tempo o projecto foi ganhando visibilidade, pelas intervenções que têm sido feitas, mas também porque nós temos feito um esforço nesse sentido, ou seja, o projecto está a ser associado visivelmente a cada um dos espaços, porque estamos a colocar uma placa com a imagem do projecto em cada um dos espaços parceiros, e isso ajuda a marcar presença do projecto e é a associação do projecto e aquele espaço e depois será o que marcará a continuidade da intervenção e da presença do projecto nos espaços. Parece-me que tanto junto dos frequentadores como do staff dos espaços, daí termos seleccionado apenas alguns espaços para dar-lhes formação e termos estado com uma regularidade maior, a visibilidade é cada vez maior. E fizemos tudo isto no sentido de gerar uma dinâmica interna, que fosse dos próprios espaços, mesmo quando o projecto terminasse. Ou seja, nós queremos acreditar que os próprios gerentes dos espaços darão continuidade a este projecto no final da intervenção do PIF. E até pelos indicadores formais que temos, parece haver essa receptividade. Esse é um aspecto que nos dá segurança. Este projecto tem uma entidade promotora por trás, a Cercina, que nestes últimos dois anos fez um grande investimento e esse investimento não pode ser interrompido tem que haver continuidade.”




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