1 de junho de 2009

Consumo de heroína e cocaína - 434 injectam-se antes dos 15 anos

Quatrocentos e trinta e quatro miúdos com menos de 15 anos injectaram-se, pela primeira vez, com heroína (256) e cocaína (178) em 2008. Além dos mais novos, 1371 indivíduos com mais de 30 anos também experimentaram os efeitos da droga injectada – heroína (694) e cocaína (677).

Os resultados são do Programa Klotho, de identificação precoce e prevenção da infecção VIH/sida, dirigido a utilizadores de drogas, que contou com as respostas de um universo de 10 716 indivíduos.

João Goulão, presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), explica ao CM que as crianças que consomem por via injectável poderão ser a segunda ou terceira geração dos filhos da droga. "Muito provavelmente são filhos de toxicodependentes, crianças que cresceram num contexto de proximidade com essas práticas [consumo de drogas] e, a partir de um certo momento, passaram a copiar o comportamento dos mais velhos."

Quanto aos indivíduos mais velhos, com mais de 30 anos, a explicação poderá ser outra. "O trajecto do consumo muda e os consumidores, ao fim de alguns anos, necessitam de mais quantidade para ter o mesmo efeito. O consumo por via injectável reduz a quantidade necessária, o que acaba por ser mais barato, e essa pode ser a justificação para um primeiro consumo por via endovenosa a partir dessa idade, o que não quer dizer que seja um primeiro consumo."

O estudo revela ainda que 1258 indivíduos sofreram overdose como consequência de drogas injectadas, 748 sabiam que tinham a infecção do vírus da sida e 96 não aceitaram fazer o teste de despistagem.

42 MIL TOXICODEPENDENTES

O número de pessoas em Portugal, entre os 15 e os 65 anos, que experimentaram alguma vez na vida o consumo de substâncias ilícitas ascende a um milhão, enquanto o número de toxicodependentes que se encontram em tratamento ronda os 37 mil.

O presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência, João Goulão, explica ao CM que o número de utilizadores regulares de drogas, considerados dependentes mas que não procuram ajuda para tratamento nos serviços de saúde, ronda os quatro mil a cinco mil indivíduos, o que significa que se totaliza em 42 mil as pessoas que consomem drogas no País.

Na última década verificou-se uma alteração dos tipos de consumo, com um aumento da preferência por via inalável.

Cristina Serra

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