O ecstasy (MDMA) é uma droga com efeitos em parte estimulantes, em parte psicadélicos. Actua através do aumento da produção e diminuição da reabsorção da serotonina, ao nível do cérebro. É a inundação do cérebro com este químico que provoca os efeitos do ecstasy. Entre outras coisas, a serotonina parece afectar a disposição, o apetite e o sistema que regula a temperatura corporal.
Os efeitos do MDMA fazem-se sentir habitualmente cerca de 20 a 30 minutos depois do consumo, mas pode levar mais tempo a fazer efeito, dependendo da pureza da substancia e do metabolismo de quem o toma. Os efeitos secundários do MDMA são a rigidez dos membros e dos maxilares, a dilatação das pupilas, o aumento da sudação e da frequência cardíaca.
Assim a droga começa a fazer efeito, os consumidores começam a sentir-se pouco à vontade, a ter náuseas e perderem a noção do espaço.
Estas sensações intensas desaparecem, geralmente quando a droga está no auge do seu efeito.
As pessoas tomam MDMA para se sentirem eufóricas e energéticas, o que lhes permite dançar durante muito tempo, aumentando o prazer que sentem com a música. Muitas vezes sentem “arrepios sensuais” por todo o corpo, bem como sentimentos de empatia e vontade de comunicar com os outros (love up). Os efeitos atingem o seu pico cerca de 2 horas após o consumo, podendo perdurar até 6 horas.
Os comprimidos de ecstasy têm, muitas vezes misturas de substâncias similares de MDMA.
Existem, no entanto algumas diferenças subtis.
Resultante da ilegalidade das drogas, os comprimidos Falsos são uma ocorrência comum. Todo o tipo de misturas é vendido como sendo ecstasy. Um comprimido falso pode conter qualquer tipo de estimulante (speed, cafeína, efedrina), algumas vezes misturado com um alucinogéneo (como o LSD). Mas pode ser qualquer outra coisa, desde paracetamol a Ketamina (anestésico).
Não consegues distinguir uma pastilha falsa apenas olhando para ela.
Muitas vezes o MDMA aparece em pó. Se achas que consumiste uma pastilha “marada” não tentes alterar o seu efeito tomando mais drogas. Faz um favor a ti próprio – esquece essa noite e aprende com a experiência.
Riscos a curto prazo
O aumento da temperatura do corpo não é consequência apenas do uso de certas drogas. Pode ocorrer após uma exposição prolongada ao sol ou exercício físico em excesso. Dançar uma noite inteira é como correr uma meia-maratona e ninguém faz isso sem treino ou sem beber líquidos em quantidade suficiente. Quando se dança horas a fio num sítio quente e se consomem drogas que te estimulam e desidratam, corre-se um sério risco. A hipotermia pode matar.
Os riscos reduzem-se quando as pessoas se refrescam normalmente e repõem os líquidos perdidos, bebendo pequenos goles de água de horas a horas). Deixar correr água fresca pelos pulsos pode também ajudar a baixar a temperatura de corpo.
Tomar speeds com pastilhas e/ou beber bebidas alcoólicas ou muito açucaradas aumenta a probabilidade de desidratação e, por isso, há maior risco de ocorrer hipertemia.
A hipertemia pode ser rapidamente reconhecida. Está atento aos seguintes sinais:
· Parar de transpirar – quando se pára de transpirar o corpo perde a capacidade de arrefecer.
· Desorientação/Vertigens/Dores de cabeça/Fadiga
· Cãimbras nas pernas, braços e costas
· Pouca urina, sendo esta de cor escura (amarelo escuro/acastanhado)
· Vómitos
· Cansaço repentino/Irritabilidade
Perante um destes sintomas, as pessoas devem de tomar uma bebida sem álcool imediatamente!
Se és sensível à temperatura/calor (ter febre muito alta quando se está doente), pode ser particularmente perigoso dançar sob o efeito de estimulantes.
Se alguém tiver um colapso enquanto está a dançar terás que agir depressa e pedir ajuda.
O Ecstasy pode também diminuir a tua capacidade de “destilar” o excesso de água. Beber demasiada água com ecstasy pode ser também perigoso, pois pode causar uma intoxicação de água. Uma intoxicação de água pode ser fatal. Beber meio litro de água de hora a hora ou uma bebida açucarada ou com um pouco de sal, é o que se recomenda para manter um nível normal dos líquidos e minerais do organismo.
Algumas pessoas sentem-se mal quando “pastilham” não se deve entrar em pânico. Se isto acontecer não se deve deixar a pessoa sozinha.
Quando se está realmente aflito e preocupado deve-se procurar ajuda médica – Liga 112
Efeitos a longo prazo
Não há muita informação sobre os efeitos do MDMA ou dos seus derivados a longo prazo. No entanto, usar muitas vezes esta substância causa depressões, ansiedade e estados paranoídes. Alguns utilizadores manifestaram estados latentes de doença mental despoletados por consumirem ecstasy.
Redução de riscos
Não se deve comprar ecstasy a estranhos.
Devem evitar-se as cápsulas (são mais fáceis de adulterar) e pastilhas “manhosas”, ou seja, as que pareçam ter sido desfeitas e prensadas de novo, porque são normalmente, de má qualidade.
Quando se começa a sentir necessidade de aumentar as doses para obter o mesmo efeito que se sentia no princípio, deve-se parar imediatamente.
Os consumidores habituais descobriram que o aumento da dosagem apenas dá speed sem o habitual efeito de aparente estado de “Felicidade” e “Amor” (Love Up)
As “pastilhas” variam muito no efeito e energia que dão.
Quando se consomem deve ter-se atenção o peso da pessoa. Isto é particularmente importante no que diz respeito às mulheres.
Deve evitar-se misturar ecstasy com álcool ou com outras drogas. À parte de tudo o resto é uma sobrecarga para o fígado e para os rins, além de, alguns utilizadores, garantirem que “corta” o efeito.
Quando se “pastilha”, as pessoas devem sentir-se frescas, usar roupas largas e não pôr bonés ou chapéus, pois o sítio do corpo onde mais se transpira é a cabeça.
Por melhor que seja a música podes sempre sair da pista!
Faz umas pausas para arrefecer e recuperar forças. Consumir drogas para poder dançar sem parar, significa aumentar as hipóteses de danos físicos.
Deve aprender-se a reconhecer e a evitar a desidratação. Deve beber-se água, mas não em demasia. Não te deixes desidratar, mas não te encharques!
Quando se está a dançar sob o efeito de ecstasy, deve beber-se água de hora em hora, tomar uma bebida açucarada e comer uns salgados que ajudem a manter o equilíbrio.
Não percas de vista o grupo. Se estão a dançar há muito tempo, tenta que parem um pouco e que bebam uma bebida sem álcool. Se alguém do grupo se sente mal e se afasta, tenta ficar perto até se sentir melhor. Durante a última década tem havido algumas mortes associadas ao consumo de drogas deste tipo. O grande risco quando se tomam estimulantes, como os MDMA e speeds e se dança em sítios quentes e fechados, é a desidratação. A desidratação tem causado várias mortes. É por isso que continuamos a avisar sobre a importância de a evitar. Outras mortes têm sido causadas pelo excesso de água, hemorragias cerebrais, apoplexia, ataques cardíacos e problemas hepáticos. Algumas destas mortes podem estar directamente relacionadas com antecedentes clínicos, tais como problemas cardíacos ou doenças hepáticas.
Alguns consumidores destas drogas, têm morrido ou ficado ferido em acidentes de automóvel causados pelo próprio efeito da substância ou pelo estado de exaustão em que se encontram quando conduzem.
As razões exactas para as mortes associadas ao ecstasy ou outras drogas deste tipo não são totalmente conhecidas. Tudo o que envolve uma morte associada ao consumo de drogas é complicado, sendo muito difícil saber ao certo o que verdadeiro aconteceu. Há um numero de coisas que podem contribuir para uma má reacção às drogas, tais como o estado de saúde das pessoas, o seu estilo de vida, o que fizeram ou deixaram de fazer quando estavam “pedrados” o que tomaram e em que quantidade.
Para tornar o assunto ainda mais complexo, pouco se sabe acerca de como funciona o ecstasy e como reage, quando consumido com outras drogas, o que limita a explicação para várias mortes causadas pelo seu consumo. Se nem os próprios “peritos” sabem realmente o que se passa, o melhor é protegeres-te o mais possível.
Não se deve consumir ecstasy quando se sofre de algum problema cardíaco, asma, hipertensão, doenças de foro psicológico, ansiedade, depressão ou doenças hepáticas.