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1 de fevereiro de 2009

Formação - Voluntários 30/01/2009

29 de janeiro de 2009

Chegam da noitada quando o galo já cantou

A nova tendência, de agitação pela madrugada dentro, e consequente falta de descanso, afectam a saúde, a capacidade produtiva e a segurança dos jovens, ainda o descanso de quem mora junto aos bares, e até o próprio negócio dos estabelecimentos nocturnos. Alterar a lei para que os bares encerrem mais cedo é uma das soluções propostas, mas pouco consensual.

Antes, o grupo de amigos reunia-se no café às 21 horas e às 23:30 já estava na discoteca. “Mas agora as discotecas só estão boas a partir das 3 da manhã”, conta Lídia Pereira, 28 anos, da Marinha Grande. A ex-barmaide recorda que, quando começou a sair à noite, partia de casa cedo, depois do jantar, e que a discoteca não tardava a abrir. Lídia Pereira sublinha que continuam a existir espaços nocturnos com horários diversificados, portanto alternativas não faltam, mas reconhece que a tendência é abrirem tarde, porque os adolescentes chegam mais tarde também.

Para Miriam Martins, técnica de aconselhamento da doença da adicção, a realidade latina de hoje tem novas especificidades. Quando o horário de saída do emprego e de jantar são cada vez mais tardios, é natural que as horas dedicadas ao lazer também sejam proteladas.

“Se uma empresa estipulasse as 7 horas como horário de entrada e as 16 horas como saída do emprego, muita gente pensaria duas vezes” antes de se divertir a horas tão tardias. “Mas o trabalho só começa às 9 horas.” O mesmo vale para as refeições. Em Lisboa, exemplifica, “a hora de ponta nos restaurantes é entre as 21 e as 22 horas”.

Para Sandra Ferreira, socióloga, além de ser uma tendência “natural na nossa cultura”, sair tarde para a noite é também uma questão de moda. “Porque uns fazem outros fazem também”, defende.Para mudar este comportamento, a solução passaria por uma imposição legal, que obrigasse todos os estabelecimentos de diversão nocturna a abrir e a encerrar mais cedo, à imagem do que aconteceu no Bairro Alto, em Lisboa, acredita a socióloga. Esta solução, porém, só sortiria efeito se fosse aplicada a todos os espaços do género, e todos os proprietários cumprissem, tal como aconteceu com a Lei do Tabaco, acrescenta.

Apesar de reconhecer que a “falta de descanso provoca mazelas irreversíveis no cérebro e afecta a concentração e o raciocínio funcional”, Miriam Martins não está certa de que uma nova lei, com horários mais apertados de diversão nocturna, baste para alterar o comportamento tão enraizado entre nós.

Se existem bares que abrem das 8 às 18.30 horas para as chamadas after hours, é porque há um público crescente que as frequenta, justifica. Além disso, haveria sempre espaço para festas privadas, onde é tão difícil controlar os horários como os consumos de álcool e drogas, nota a técnica. Portanto, “sair ou não sair até tarde depende apenas da responsabilidade de cada um”.

Recentemente, uma reportagem da Agência Lusa deu conta de que as after hours privadas começam depois de todas as discotecas terem encerrado, e que estas festas privadas podem durar todo o fim-de-semana. Nas after hours mais sofisticadas há até DJs profissionais e o fenómeno parece estar a virar moda entre jovens adultos, com profissões liberais e uma instrução acima da média.

Trabalho e saúde a meio gás

Rita Bonifácio, da Marinha Grande, fez parte do curso de Ciências da Comunicação em Leeds, através do programa Erasmus. Do Reino Unido aproveitou não só as teorias académicas como a diversão nocturna. Comparando a realidade britânica com a portuguesa, Rita Bonifácio admite que a produtividade está mais assegurada no Reino Unido.

Em Leeds, a noite começa nos pubs por volta das 19 horas - para muita gente logo depois do trabalho. Quando os pubs encerram, às 23 horas, as pessoas só têm duas opções: ou regressam a casa ou vão à discoteca. Mas como a discoteca fecha no máximo às 2 horas, a antiga aluna “acabava sempre por chegar a casa cedo e no dia seguinte, pela manhãzinha, já podia estar na escola e ‘ter uma vida’”.

Apesar disso, defende Rita Bonifácio, “o cenário português acaba por ser mais saudável, pois é menos restritivo. As pessoas têm mais liberdade de escolha, já que há maior flexibilidade nos horários de fecho dos bares e discotecas”. “Tanto podemos ter noites curtinhas, como noites que acabam de manhã.”, justifica.

Teresa Paiva, neurologista e especialista em doenças do sono, enumera várias consequências que derivam da privação de sono, seja de forma crónica (quando se roubam horas à cama de forma sistemática), sejam privações agudas (“directas” esporádicas).No caso de uma privação crónica do sono, aumenta o risco de morte por hipertensão arterial, obesidade, diabetes, depressão, acidentes, insónia, também algumas formas de cancro, nomeadamente da mama, na mulher, e na próstata, no homem, e aumenta o risco de morte causada por problemas cardíacos. Tratando-se de crianças e jovens, essa privação crónica do sono traduz-se num risco aumentado de obesidade, diabetes e hipertensão.

Dormir menos do que se precisa também traz dificuldades de concentração e diminui a produtividade. Um estudo que teve por base uma amostra de 900 alunos do Instituto Superior Técnico revelou que dormir pouco tem efeitos negativos directos no sucesso escolar.

No caso da privação aguda de sono, as chamadas “directas” fazem com que a pessoa fique sonolenta e tenha dificuldades em concentrar-se para desempenhar as suas tarefas.

Aumenta também o risco de se envolver em acidentes. De acordo com estatísticas europeias, os acidentes com consequências mortais entre os jovens aumentam de quinta para sexta-feira e de sexta-feira para sábado, entre as 4 e as 5 horas. Teresa Paiva relaciona os acidentes com a privação de sono, consumo de álcool e droga. “É uma mistura potencialmente explosiva, com consequências fatais”, nota a especialista.

Negócio afectado

O Regulamento Municipal dos Horários de Funcionamento dos Estabelecimentos de Venda ao Público e de Prestação de Serviços da Câmara de Leiria, por exemplo, estabelece que cafés, cervejarias, casas de chá, restaurantes, bares, snack-bars, e self-services podem estar abertos até às 2 horas, todos os dias da semana. Já os clubes, cabarets, boites, dancings, casas de fado e estabelecimentos análogos devem definir os seus horários de funcionamento entre as 18 e as 4 horas, todos os dias da semana. Na Praia do Pedrógão, os clubes, cabarets, boites, dancings, casas de fado e estabelecimentos análogos podem encerrar duas horas mais tarde, durante todo o ano.

Apesar do horário de funcionamento destes espaços ser até bastante alargado, o facto dos jovens saírem cada vez mais tarde para a diversão nocturna acaba por cingir o período de facturação dos estabelecimentos a um par de horas.

Tânia Afonso é proprietária do Cinema Paraíso, bar de Leiria aberto das 20 às 2 horas. Depois de jantar há um “período do cafezinho”, mas só mais tarde é que as pessoas começam a “encontrar-se na noite”. Como isso acontece tarde e a casa tem de fechar às 2 horas, o período de facturação propriamente dito dura pouco, explica a proprietária.

“Sinto que saem mais tarde e isso se deve a uma alteração no estilo de vida. Também se trabalha até mais tarde. É uma mudança cultural”, nota Tânia Afonso. Perante esta realidade, a proprietária preferia poder fechar o bar uma hora depois, nem que fosse para “deixar tomar o copo” a quem acabou de pedi-lo. Quanto à possibilidade de abrir e fechar mais cedo, “não faria sentido, não tem a ver com a nossa cultura”, defende.

Tiago Sousa, proprietário da discoteca Suite, em Leiria, tem a mesma perspectiva. Antes do Verão, quando inaugurou o espaço, o empresário definiu as 22 horas como horário de abertura. Como as pessoas só chegavam a partir da meia-noite, teve de se adaptar à nova tendência, passando a abrir às 00.00 horas e encerrar às 5 horas.

“Saem mais tarde de casa, é diferente do que acontecia há 10 anos. Têm mais conforto nos lares, jantam com amigos, só depois é que chegam”, sublinha. O regulamento municipal não permite que a discoteca encerre depois das 5 horas, mas o proprietário do Suite acredita que, no seu caso, a dilatação do horário teria mais cabimento do que o inverso.

Vizinhança em desespero

Tiago Sousa explica que uma das suas preocupações aquando da inauguração do Suite foi apostar no isolamento acústico do edifício. No entanto, apesar do investimento no interior, o empresário salienta que não pode actuar sobre quem fizer barulho na rua depois da discoteca fechar.

Esta é também a convicção de Luís Ferreira, lojista e porta--voz do Condomínio de Gestão do Centro Histórico de Leiria, que desresponsabiliza os donos dos bares pelo barulho e agitação nocturna junto às casas da zona histórica. Luís Ferreira sublinha que a algazarra, que tanto incomoda os moradores, acontece na rua depois dos bares terem encerrado. Defende que o barulho não terá fim, mesmo que os bares sejam obrigados a encerrar mais cedo, porque fica sempre gente na rua. A solução, acredita o porta-voz do Condomínio, tem forçosamente de passar por uma actuação pedagógica da polícia que não se limite a encerrar os estabelecimentos, que converse e encaminhe os jovens para outros lugares, desabitados, da cidade.

Texto: Daniela Franco Sousa

Fotos: Ricardo Graça

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